Sim, o restaurante pode vender anúncio de outras marcas na TV que já tem. A regra que vale copiar do McDonald's é a do momento: no piloto da rede de mídia dele, o anúncio de terceiro aparece depois do pedido, nunca na hora da escolha. No restaurante, a chegada e a escolha são do seu cardápio; a espera do prato, a refeição e a conta podem ter parceiros. Quem compra: produtor de evento local, imobiliária, academia, autoescola, escola. Quem nunca entra: outro restaurante. Quanto cobrar está no nosso artigo de preço.
Se a sua dúvida é o preço da cota, o limite de tempo de tela para terceiros e onde isso é proibido, o caminho é o artigo vender anúncio na TV Indoor: quanto cobrar. Aqui o assunto é outro: quando o anúncio entra e quem compra, no caso específico do restaurante.
O que o McDonald's fez, e o que ele não contou
Em 23/09/2026, no investor day da empresa em Chicago, Morgan Flatley, CMO global do McDonald's, apresentou a McDonald's Media Network: uma rede que vende espaço publicitário para outras marcas nas telas dos restaurantes. Os fatos que as três reportagens abaixo confirmam:
| Ponto | O que foi dito |
|---|---|
| O piloto | Começou em agosto de 2026, em 450 restaurantes operados pela própria empresa nos EUA, cerca de 3% das aproximadamente 14 mil unidades do país. Os restaurantes de franqueados ficaram de fora. |
| Onde o anúncio aparece | Nos painéis digitais de pedido. A empresa disse que o piloto se limita a esses painéis, com o anúncio aparecendo depois que o cliente faz o pedido. Na apresentação, o anúncio de uma seguradora ocupava metade da tela do drive-thru. |
| A meta | Flatley chamou de "aspiração" transformar a rede num negócio de US$ 1 bilhão "ao longo do tempo". Não há ano definido. |
| A promessa | Receita "com pouco custo adicional, nenhuma complexidade operacional e nenhuma interrupção da experiência do cliente", nas palavras dela. |
| O mercado | Flatley citou que o commerce media deve passar de US$ 100 bilhões só nos EUA até 2028. É uma projeção citada na apresentação, não um dado auditado. |
Fontes: CNBC (23/09/2026), Gizmodo (25/09/2026) e PPC Land, que publica trechos da transcrição do evento. Consultadas em 22/10/2026.
O que não foi divulgado é tão instrutivo quanto o resto: não houve tabela de preço, lista de anunciantes, parceiro de tecnologia nem forma de medição. E o piloto só existe onde a empresa opera a loja. Ou seja: a parte difícil (quanto cobrar e como provar o resultado) nem o McDonald's resolveu em público. O que ele deixou claro foi a ordem: primeiro o pedido, depois o anúncio.
A regra do pedido: a tela vende o seu prato primeiro
A promessa de "nenhuma interrupção da experiência do cliente" não é retórica: é a razão de o anúncio vir depois do pedido. Enquanto a pessoa escolhe, a tela trabalha para a casa. Leve isso para os momentos de uma visita a um restaurante:
| Momento da visita | De quem é a tela |
|---|---|
| Chegada e espera de mesa | Sua: prato da casa, especial do dia, evento de aniversário. |
| Escolha (cardápio) | 100% sua: cardápio, combos, promoções. Nenhum terceiro. |
| Espera do prato | Sua bebida e sua sobremesa primeiro; os parceiros entram intercalados. |
| Refeição | Conteúdo que segura o olhar (notícia, curiosidade) com parceiros intercalados. |
| Conta | Parceiros, QR de avaliação e o convite para voltar. |
Na escolha, o trabalho da tela é o do cardápio digital na TV do restaurante e dos gatilhos de venda adicional. Depois do pedido, o espaço que sobra é longo, e é esse espaço que se vende. No episódio que deu origem a este artigo, a frase que resume a diferença: "ninguém que sai de casa para ir ao restaurante à noite fica menos de uma hora no lugar". E a resposta de Mário Sérgio: "você tem ainda algo além do que o McDonald's tem, que é o tempo de retenção".
Na prática, isso é programação por horário e por posição na playlist: veja como programar a TV Indoor por horário e qual o tamanho certo do ciclo em relação ao tempo de visita em quanto tempo deve durar o loop da TV Indoor. Quantas inserções de terceiro cabem sem afastar o cliente já está no limite de tempo de tela para terceiros.
O anunciante do almoço não é o da noite
O episódio separa os dois públicos numa frase: "o cara do almoço é o cara mais formal, a parceria mais formal. O cara à noite já é o cara de fazer uma festa". A consequência prática são duas grades e dois perfis de cota:
- Almoço: quem trabalha por perto e come com hora para voltar. Combina com serviço profissional (contador, clínica, curso), academia, escola e autoescola.
- Noite: quem saiu para se divertir, muitas vezes em família ou em grupo. Combina com evento, lazer, bar parceiro que não concorre com você e imobiliária. O argumento do episódio para a imobiliária: quem tem dinheiro para jantar fora é o público que aluga ou compra imóvel.
Restaurante que abre só num turno vende só aquele perfil. O que abre nos dois pode vender a mesma tela duas vezes, para anunciantes diferentes, porque o público muda.
O anunciante que "não falha": o evento da cidade
Entre os perfis de comprador, o episódio destaca um que costuma ficar de fora das listas: o produtor de evento local. Show, festa, rodeio, festival, feira. Ele precisa estar onde o público está nas semanas anteriores ao evento, e todo mês tem evento, inclusive nas cidades vizinhas. Três características fazem dessa cota uma das mais fáceis de vender:
- Prazo natural. A cota vale até a data do evento. Não exige contrato longo nem renegociação.
- Renovação embutida. Acabou um evento, o mesmo produtor (ou outro) tem o próximo.
- Substitui o que ele já faz. O produtor já passa nos restaurantes deixando folheto no balcão. A peça na TV troca o papel que vai para o lixo por vídeo exibido a cada ciclo.
Uma exigência técnica: a peça precisa ser legendada e funcionar sem áudio, porque a TV do salão fica sem som. No episódio: "o vídeo não tem áudio, então é um vídeo legendado, bem feitinho". Os detalhes estão em TV Indoor sem som: o vídeo precisa de legenda.
Quem nunca entra: o concorrente
A regra é simples: outro restaurante não. O resto do comércio, sim. Mário Sérgio descreve no episódio um bar da cidade que faz exatamente isso: "ele não anuncia outros restaurantes, por concorrência, mas eu já vi anúncio de autoescola, de academia, de aulas particulares". Entre um parceiro e outro, o próprio bar alterna o prato do dia, o combo e o convite para comemorar aniversário.
Isso vira cláusula: exclusão de categoria, escrita no acordo com cada anunciante. Antes de vender, confira também se o seu contrato de franquia, de shopping ou com fornecedor restringe anúncio de terceiros; essas restrições estão listadas na seção onde isso é proibido.
E a TV do futebol?
É a objeção mais comum de quem tem bar ou restaurante com jogo na TV. O episódio dá duas saídas:
- Telas separadas. O telão fica com o jogo; as TVs espalhadas pelo salão seguem com cardápio e parceiros. Quem foi pelo futebol continua com o futebol.
- Mesma TV, pausa no jogo. Se só existe uma tela, a programação para durante a partida e volta depois. Combine isso com o anunciante: a grade dele não conta os minutos do jogo.
Transmitir jogo ou TV aberta em estabelecimento comercial tem implicações de direito autoral que independem da sua playlist. Antes de decidir, leia TV ligada na loja precisa pagar ECAD?.
Quando você não faz, alguém faz no seu lugar
Há empresas que oferecem ao dono do restaurante uma TV instalada de graça: elas exibem anúncios e ficam com a receita (em alguns modelos, repassam uma parte ao estabelecimento). O episódio descreve a conversa: "eu vou colocar uma TV aqui, coloco anúncios, você me dá energia, você não paga nada". E a resposta comum do dono: "não vou gastar nada mesmo, deixa o cara faturar".
Vale olhar a troca com calma. Você cede a parede, a energia e, principalmente, a atenção do seu cliente sentado à sua mesa; quem escolhe o anunciante e fatura é outro. O modelo pode fazer sentido para quem não quer se ocupar de nada, mas a alternativa é a tela própria: com um ponto, o custo é o do plano de entrada (os valores estão sempre atualizados na tabela de planos), a grade é sua e a cota vendida fica com você. A conta de quem começa com um ponto está em renda extra com TV Indoor: a conta do primeiro ponto.
Um esclarecimento sobre a ferramenta: o JMV Indoor programa e exibe as peças que você sobe. Ele não vende anúncio por você, não faz leilão de espaço e não mede venda por anúncio. E nenhum plano, nem o teste grátis, exibe anúncio da JMV na sua TV: a decisão de exibir anúncio de terceiro é sua.
Como provar ao anunciante que deu resultado
O anunciante que renova é o que vê retorno. QR code com destino próprio, cupom exclusivo da sua casa, número de telefone dedicado e o "diga que viu na TV e ganhe um brinde" são os caminhos, e eles estão detalhados em cobrar do anunciante: fixo ou percentual. Para restaurantes com tempo longo de mesa, como pizzaria e churrascaria de rodízio, o QR tem mais chance de ser escaneado, porque o cliente tem tempo para pegar o celular.
O episódio que deu origem a este artigo
O tema foi debatido no Café & Tech de 21/10/2026, com Josimar Machado e Mário Sérgio, da JMV Technology. O episódio tem 55 minutos e cobre mais assuntos do que este artigo; aqui ficaram só os trechos sobre o restaurante. Assista ao episódio completo no YouTube.
Trechos do episódio usados neste artigo (transcrição corrigida)
A legenda automática foi corrigida (pontuação e grafia); tempos aproximados. Valores citados no episódio são exemplos dos apresentadores, não preços de mercado. No episódio, o piloto do McDonald's é chamado de "totem"; as reportagens confirmam os painéis de pedido.
"Ele vai na sua clínica e fala assim: 'é restaurante, eu vou colocar uma TV aqui, coloco anúncios, você me dá energia, você não paga nada' […] O dono do restaurante fala: 'não vou gastar nada mesmo, deixa o cara faturar'."
(~3min) "O cara do almoço é o cara mais formal ali, a parceria mais formal. O cara à noite já é o cara de fazer uma festa."
(~3min40) "Vou te dar agora um exemplo de captação de recurso para TV indoor. Facinho: nos eventos da cidade. […] O dono do evento, com absoluta certeza, pagaria 200, 300, 500 reais para estar no pré-evento de um mês, dois meses dentro do seu restaurante. […] E todo mês tem evento em toda cidade." (valor = exemplo do apresentador)
"O vídeo não tem áudio, então é um vídeo legendado, bem feitinho."
(~14min) "Ninguém que sai de casa para ir para o restaurante à noite fica menos de uma hora no lugar." — "Você tem ainda algo além do que o McDonald's tem, que é o tempo de retenção."
(~15min) "Ele não anuncia outros restaurantes, por concorrência, mas eu já vi anúncio de autoescola, de academia, de aulas particulares."
(~17min) "Ele tem o telão do futebol e as TVs bem elencadas durante todo o espaço anunciando." — "Se for a mesma TV, na hora do futebol ele vai parar."
"É opção sua se você quiser exibir anúncio de terceiro ou não."
Em resumo: copie do McDonald's a ordem, não a escala. A chegada e a escolha são do seu cardápio; depois do pedido, a espera longa do restaurante vira espaço para parceiros que não concorrem com você, escolhidos pelo turno, com o produtor de evento local como a cota mais fácil de começar. Para entender o conceito mais amplo, a Wikipédia tem um verbete sobre sinalização digital. Sobre os dados tratados no blog, veja a Política de Privacidade.