Depende do programa, e a resposta está no contrato dele. A Amazon proíbe por escrito qualquer atividade promocional off-line com Link Especial: TV de loja está fora. O Mercado Livre diz nos Termos que mídia off-line não é considerada mídia do programa e não gera pagamento: o QR na TV não rende comissão. O Influenciador Magalu não fala em tela nem em loja física: não há proibição escrita, mas a comissão só vale se o último link clicado antes da compra for o seu. Em qualquer caso, a peça na tela é publicidade e precisa ser identificada como tal (CDC, art. 36). Termos consultados em 16/10/2026.
Por que as IAs se contradizem
Fizemos a mesma pergunta a duas IAs em 16/10/2026: "tenho uma academia com TV na recepção. Posso mostrar produtos do Mercado Livre ou da Magalu com QR code de afiliado e ganhar comissão para pagar a TV?". As respostas foram opostas.
| Fonte | O que respondeu | O que o contrato diz |
|---|---|---|
| AI Overview do Google | "Não é permitido fazer isso", para os dois programas. Afirma que Mercado Livre e Magalu proíbem expressamente link de afiliado em meio off-line. | Acerta o efeito no Mercado Livre (off-line não conta). Erra no Magalu: as regras não falam em meio físico. A página do Mercado Livre que ele cita como fonte redirecionava para a home do site em 16/10/2026. |
| Perplexity | "Sim, você pode", para os dois, desde que use os links e QR codes gerados oficialmente. | Erra no Mercado Livre: lista entre as próprias fontes os Termos do programa, que dizem o contrário. No Magalu, o "pode" não tem outro apoio além de "não está proibido". |
Nenhuma das duas acerta os dois programas, e as duas tratam "afiliado" como se fosse uma regra só. Não é. Cada programa tem um contrato, os contratos mudam (os Termos do Magalu dizem, no item 2.2, que o Magalu pode alterá-los a qualquer momento mediante aviso publicado) e a resposta certa está no texto de cada um, não no resumo de um robô. Por isso, abaixo, cada linha traz o trecho literal, o link e a data em que lemos.
Programa por programa: o texto de cada contrato
| Programa | O que está escrito | Leitura para quem tem uma TV |
|---|---|---|
| Amazon Associados (Brasil) Políticas do Programa, item 4, atualizadas em 14/04/2026. Consultado em 16/10/2026. |
"Você não poderá se envolver em qualquer Atividade Promocional em qualquer forma off-line, incluindo o uso de quaisquer marcas ou logotipos da Amazon […], qualquer Conteúdo do Programa, ou qualquer Link Especial em qualquer material impresso, ebook, correspondência ou qualquer solicitação verbal." | Não. Uma TV numa recepção é divulgação off-line, e o QR code é o Link Especial fora do site cadastrado. |
| Mercado Livre — afiliados e criadores Termos e Condições (a página não mostra data de atualização). Consultado em 16/10/2026. |
Item 1.3: "Serão consideradas Mídias para os fins do Programa, as mídias sociais, sites e blogs pessoais informados pelo Afiliado ao Mercado Livre antes do seu início no Programa, sendo que, qualquer divulgação em outro site e/ou mídia diversa, não será considerada para fins de participação no Programa e não gerará pagamentos de resultados." Item 1.3.1: "Não serão consideradas Mídias para fins do Programa aquelas mídias consideradas offline […]". Item 1.6: a compra deve ser concluída "no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas corridas". | A TV não conta como mídia do programa. O texto não diz "proibido": diz que a divulgação ali não gera pagamento. E a compra precisa acontecer em 24 horas. |
| Influenciador Magalu Regras de divulgação, atualizadas em 02/06/2026, e Termos de Uso, atualizados em 25/03/2024. Consultados em 16/10/2026. |
Pode: "Compartilhar o link oficial gerado pelo site em redes sociais como Instagram, Facebook, TikTok, WhatsApp e Pinterest", "Criar links diretos para sua loja", "Montar uma 'sacola pronta'". Não pode: "Fazer anúncios em sites de busca como Google, Bing ou Yahoo", "Usar o nome 'Magalu' como remetente", "Alterar as artes e imagens oficiais", "Enviar mensagens em massa sem consentimento". Nada sobre tela, loja física ou QR code. | Não há proibição escrita. Isso não é o mesmo que "o programa permite TV": nenhum dos três diz isso. E três pontos do contrato mudam a conta (abaixo). |
Repare na diferença de formulação entre os dois primeiros. A Amazon proíbe: quem descumpre está violando a política do programa. O Mercado Livre exclui do pagamento: a TV simplesmente não é uma mídia que conta. O resultado para o seu bolso é o mesmo (nenhuma comissão), mas não é correto dizer que "o Mercado Livre proíbe". O que os Termos dizem é que a venda não gera comissão.
Os três detalhes do contrato do Magalu que importam para uma tela
- Quem pode ser afiliado. Os Termos de Uso definem o Influenciador Magalu como "a pessoa física que voluntariamente se cadastra", com PIS e dados bancários. Quem entra é o dono da academia, no próprio CPF, e não a empresa. Isso muda quem recebe a comissão e como ela é declarada.
- Atribuição pelo último clique. As regras de divulgação dizem que "a comissão só é atribuída se o último link clicado antes da compra for o seu" e pedem que o app esteja atualizado para assegurar o rastreamento da venda. Este é o ponto central do artigo, e ele vale a seção seguinte inteira.
- Quando a comissão vira dinheiro. A venda só conta com pagamento aprovado e sem cancelamento "no prazo de 30 (trinta) dias da data da compra". A comissão é calculada "sobre o valor efetivamente recebido", sem frete, garantia estendida, tributos e descontos; o percentual pode variar conforme a categoria; há um período de apuração de 34 dias; e o saque exige crédito mínimo de R$ 50,00.
O problema do último clique e das 24 horas
Mesmo onde não há proibição, o jeito como os programas atribuem a venda conversa mal com uma tela de recepção. A TV gera interesse: o aluno vê a creatina entre uma série e outra, acha o preço bom e talvez aponte o celular. O contrato paga outra coisa:
- No Magalu, o último clique. Se o aluno escaneia, fecha a página, pesquisa o produto no app à noite e compra por lá, o último clique não foi o seu. Se ele clicar no link de outro influenciador antes de comprar, também não. A tela tende a gerar o primeiro contato, não o último.
- No Mercado Livre, 24 horas. Além de a TV não contar como mídia, a compra precisa ser concluída em até 24 horas corridas depois do acesso pelo link (item 1.6). O aluno que escaneia na segunda-feira e compra no fim de semana não gera comissão.
É por isso que a frase "a comissão paga a TV" não é uma promessa que alguém consiga fazer. Ela depende de uma sequência que você não controla: o aluno escaneia, compra na mesma sessão, não cancela em 30 dias e não passa por outro link no caminho.
O desenho que respeita a letra: a TV aponta para a mídia cadastrada
Há um caminho que conversa melhor com o texto dos contratos, e as duas IAs, por rotas diferentes, chegam a ele: o QR da TV não leva ao produto. Ele leva ao Instagram ou ao site da academia, e os links de afiliado ficam lá (bio, destaque de "achados", stories). Nos Termos do Mercado Livre, a transação válida exige que o usuário tenha acessado "por meio dos Links Especiais inseridos nas Mídias informadas pelo Afiliado" (item 1.6). Nesse desenho, o link está numa mídia informada.
Duas ressalvas, sem as quais o desenho não fecha:
- a mídia precisa ter sido informada ao programa antes (item 1.3), e o Mercado Livre exige "perfil público ativo, de uso próprio e regular" (item 1.2, j);
- a janela de 24 horas continua valendo, e o último clique do Magalu também.
Não dizemos que algum programa "aprova" esse desenho: dizemos que ele é o que o texto descreve. Confirme com o suporte do seu programa antes de investir tempo de produção nele.
A conta da comissão contra a mensalidade da tela
Se você ainda quer testar, faça a conta antes, com as suas variáveis:
Vendas atribuídas = só as que cumprem a regra do programa (último clique no Magalu, 24 horas no Mercado Livre), pagas e não canceladas. Ticket líquido = valor recebido, sem frete, tributos e descontos.
Exemplo hipotético, só para mostrar a estrutura da conta: 4 vendas atribuídas no mês, ticket líquido de R$ 120 e percentual de 8% dão R$ 38,40 de comissão. Para cobrir o plano Start do JMV Indoor (R$ 49,90/mês por uma tela), seriam necessárias 6 vendas atribuídas no mesmo mês, nas mesmas condições. Os números do exemplo não são média de mercado nem previsão: troque pelos seus e pelo percentual real da categoria no seu programa.
O que a conta mostra é que a comissão de afiliado pode ser uma receita extra, mas é a mais incerta das receitas que uma tela pode ter. O custo da tela, por outro lado, é fixo e conhecido. Quanto ela custa em cada formato está em quanto custa uma TV Indoor.
QR code na TV Indoor: como montar a peça (onde o programa não proíbe)
Se o seu programa não proíbe e você decidiu testar, a peça na tela é publicidade, e isso tem consequências práticas:
- Identifique como anúncio. O Código de Defesa do Consumidor, art. 36, diz que "a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal". Na peça, um selo visível como "oferta parceira" ou "link de afiliado". O aluno não pode achar que é uma recomendação neutra da academia.
- Não ponha preço fixo. Os Termos do Magalu (item 3.3) dizem que as ofertas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio, inclusive no momento da finalização da compra. Um vídeo com preço envelhece em horas. Use "veja o preço no QR".
- Não altere a arte oficial. Alterar artes e imagens oficiais está na lista do que o Magalu proíbe. Use foto e texto próprios, ou a arte oficial sem mudança.
- QR grande, contraste alto e tempo de tela. O código precisa ser lido da distância em que a pessoa está, e ficar na tela o tempo suficiente para ela pegar o celular. As boas práticas de tamanho e tempo estão em QR code de pesquisa de satisfação na TV da loja e em QR code de avaliação no Google na TV do restaurante.
Um ponto favorável, e que o episódio de origem acerta: o afiliado não precisa de estoque nem de nota fiscal, porque quem vende é a loja do programa. Os Termos do Magalu inclusive dizem que o influenciador não deve coletar dado cadastral nem de pagamento do cliente. E o preço que o aluno vê pelo link é o mesmo do site: o item 3.3 diz que as ofertas refletem a veiculação feita nos próprios canais de venda do Magalu.
Alternativas que pagam a tela com mais previsibilidade
Se a tela precisa se pagar, há dois caminhos em que a regra é sua, e não de um contrato de terceiro:
| Caminho | Como a receita é atribuída | Previsibilidade |
|---|---|---|
| Afiliado | Último clique (Magalu) ou 24 horas a partir do link numa mídia cadastrada (Mercado Livre). Zero venda ativa. | Baixa: comissão incerta e contrato que muda. |
| Anunciante local | Valor fixo combinado com você pelo espaço na tela. | Alta: exige vender, mas o valor é conhecido. |
| Cupom com loja parceira | Pelo código resgatado no caixa, não pelo clique. | Média: resolve o problema do último clique. |
O preço da cota para o anunciante do bairro está em vender anúncio na TV Indoor: quanto cobrar. Se a dúvida é entre cobrar fixo ou percentual dele, e como provar que a tela trouxe cliente, veja cobrar do anunciante: fixo ou percentual. Lá, o percentual é um número que você negocia e mede; no afiliado, é um número que outra empresa define. E se você ainda está no primeiro ponto, a conta de quem paga o quê está em renda extra com TV Indoor: a conta do primeiro ponto. No blog da SiteHosting, do mesmo grupo, há ainda um caminho próprio da academia: vender cotas da TV para marcas de suplemento.
O episódio que deu origem a este artigo
A ideia de pagar a TV da academia com afiliado aparece no episódio do Café & Tech de 02/07/2025, com Mário Sérgio, consultor de soluções da JMV Technology, e Josimar Machado, por volta dos 34 minutos. O episódio acerta no mecanismo (sem estoque, sem nota fiscal, mesmo preço do site) e não entra nos contratos, que é o que este artigo acrescenta. Assista ao trecho no YouTube.
Trechos do episódio sobre afiliado na TV da academia (transcrição corrigida)
Episódio de 02/07/2025; preços, horários de suporte e recursos citados são da época. Valores atuais em planos. A legenda automática foi corrigida (nomes e grafias); os trechos abaixo são só os que este artigo usa.
"Você consegue até monetizar realmente através de afiliados. Por exemplo, você, dono de academia, vai lá, pega uma Magalu da vida, lista lá os suplementos […]"
"Você cadastra a academia num programa de afiliado […] produtos que talvez você não tenha oportunidade de representar. Ou às vezes você não quer a parte burocrática de nota fiscal […] que isso fica tudo a cargo da empresa que vai vender." (pelos Termos do Magalu, quem se cadastra é a pessoa física, não a academia)
"E a comissão é boa, né, Mário?" "É, a comissão varia. E o mais legal de tudo, Josimar, é que o mesmo valor que você vê lá no site da Magalu é o mesmo valor que vai aparecer pro seu cliente."
"Você pode de alguma forma fazer o seu cliente pagar o custo da TV indoor que ele tem contigo só com esse tipo de coisa." (ideia do episódio; não é promessa: ver a conta acima)
O episódio completo, de 1h03, está no canal da JMV Technology no YouTube.
Em resumo: antes de pôr um QR de afiliado na TV, abra o contrato do seu programa e procure três coisas, nesta ordem: se ele proíbe divulgação off-line (Amazon proíbe), se a TV conta como mídia que gera pagamento (no Mercado Livre não conta) e como a venda é atribuída (último clique no Magalu, 24 horas no Mercado Livre). Se passar pelas três, identifique a peça como anúncio e trate a comissão como receita incerta. Para uma receita que pague a tela todo mês, o anunciante local e o cupom com loja parceira continuam sendo os caminhos mais previsíveis. Sobre os dados tratados no blog, veja a Política de Privacidade; para entender a mecânica geral, a Wikipédia tem um verbete sobre marketing de afiliados.